“A apreciação unilateral é sempre ruinosa.”
“Aquele que dentre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela.” (João, 8:7).
Este foi o ensinamento do Mestre Jesus aos escribas e fariseus que lhe levaram uma mulher apanhada em flagrante adultério para que Ele a julgasse.
Pela Lei de Moisés, ela deveria ser apedrejada até a morte e aqueles homens estavam prontos a fazê-lo, entretanto, queriam ouvir se Ele a condenava, a fim de incriminá-lo também.
A apreciação unilateral do fato cegava e ensurdecia aqueles homens que não analisavam à luz da razão; longe estavam da complacência e quilômetros de distância os separavam da caridade que deveriam ter para com a mulher adúltera.
Não perguntavam, ao menos, o que teria conduzido aquela criatura a cometer semelhante delito; que problemas e situações infelizes a teriam levado a descer moralmente alguns degraus que, em vão, procurara subir.
Esqueciam-se eles, acusadores, de que um dia poderiam passar pelas mesmas experiências, ou se não eles, alguém que lhes fosse muito querido colheria os amargos frutos da desilusão.
Hoje, passados vinte séculos, continuamos os mesmos escribas e fariseus a julgar o semelhante.
Apegamo-nos a determinado fato que levou a criatura a cometer um erro num momento da vacilação; tecemos comentários desairosos sem refletir sobre as inúmeras causas que poderiam ter conduzido a criatura, alvo de nossos comentários, a enveredar por caminhos nem sempre edificantes.
Hoje, acusamos, julgamos o próximo sob mil facetas da imaginação; amanhã, seremos nós, a pedir complacência para os nossos erros; tentaremos justificar aqui e acolá os porquês dessa ou daquela atitude que teria nos levado a espetacular queda.
Grupo de Psicografia “Paulo de Tarso”
Livro “Palavras Libertadoras” – Setembro de 1996