No início, o silêncio profundo, uma massa inerte, pesada, compacta. Mas uma luz existia nela. Não podia brilhar, nem se manifestar.
Mais adiante, no turbilhão dos milhares de anos, o vento sussurrava entre as folhagens, a chuva caía ruidosa, ensinando uma linguagem diferente.
Os pássaros gorjeavam e voavam sem parar. Sons agudos variados. Ensaiavam-se as articulações.
O tempo varre a face do Planeta e com o surgimento dos animais superiores, cada qual emite o seu som natural.
Gritos e cantos se misturam.
As mãos benéficas de Mentores Espirituais operam modificações e surge o homem no Planeta.
Após longos períodos de imitação animal, a criatura articula as primeiras palavras, ouve, entende, rebate, escuta, grita, canta, harmoniza-se.
Encarna e desencarna; sua compleição física vai melhorando, sua mente se desenvolvendo porque o raciocínio foi conquistado. Com o uso da razão, coloca em prática seus conhecimentos falando, ouvindo, ensinando, aprendendo.
Descobre que pelo uso da palavra pode fazer-se entender, pode fazer-se conhecido, porque através dela se expõe.
Por meio da palavra recebe informações, emprega o raciocínio e expõe novamente seu ponto de vista.
Conquista e é conquistado.
Para os corações endurecidos e desesperançados surge a palavra do Cristo. Ele nada escreveu. Somente falou. Mas, suas palavras constituíram-se no maior código de ensinamentos bons e puros que levam o homem à felicidade plena, desde que este O ouça e coloque em prática Seus ensinamentos.
E como chegaram até nós as palavras de Jesus?
Através da persistência, dose de renúncia e aptidão de transmitir, ou seja, o falar de Seus Apóstolos.
Quem mais andou e repetiu as palavras do Mestre Jesus, acrescentando-lhe as suas próprias palavras, reforçando com seus esclarecimentos, realizações e testemunhos, senão aquele Apóstolo que não conviveu com o Mestre da Galileia, mas encontrou-O na Estrada de Damasco?
Saulo de Tarso, judeu nascido em Tarso, na Cilícia, província de Roma, doutor da lei judaica, cidadão romano, aquele que com as simples palavras – “Senhor, que queres que eu faça?” mudou sua vida, abriu uma porta estreita para sua entrada em vida árdua mas fecunda em realizações; aquele que após muitos testemunhos para levar adiante as palavras de Jesus, muda seu nome para forma latina – Paulo – e solidifica para sempre sua confiança, amor e trabalho em prol da divulgação dos Ensinamentos do Cristo Jesus e, em assim agindo, através das palavras, pôde finalmente dizer: “Já não sou eu que vivo, mas o Cristo é que vive em mim”.
Instituição Beneficente “A Luz Divina”
Grupo de Psicografia “Paulo de Tarso” – Pasta 20